“8 Shades of Trump”

A 45ª Presidência dos EUA em ilustração

George Bush é conhecido pela resposta imediata e furiosa ao 11 de setembro e, de que ainda hoje se sentem ondas de choque no Médio Oriente. Obama entrou para a História como o 1º Presidente americano negro mas se perdura na memória coletiva é por causa do slogan “Yes we Can”, a meu ver, irrepetível na construção da mensagem de esperança (podem agradecer ao Jon Favreau), que era necessária pós-atentado terrorista e anos de guerra além mares. Já Trump? Parece saído de Marte, com o seu look bizarro e estilo provocatório inconfundível. Esperar o inesperado é a palavra de ordem. Nascido na riqueza e formado em Reality Shows no “The Apprentice”, foi com o lema “Make America Great Again” que ceifou, talvez para sempre, as esperanças de Hillary Clinton se tornar Presidente dos EUA. Nunca um Presidente foi tão memorável, nem teve tanta exposição como Trump. A aparente ausência de direção pessoal, o desrespeito por pessoas e instituições, políticas contrárias à preservação dos direitos humanos, a obsessão pelas redes sociais, os intervalos para jogar golfe (alguns em momentos críticos da democracia americana), a ascensão e premiação pública do nepotismo e o auto-engrandecimento público foram apenas algumas das suas muito particulares características que aqui vemos retratados em cartoon.

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Os primeiros dias de Presidência pintados pela mão de Tim O’Brian para a capa da Time que já então se mostravam tumultuosos.

Esta capa é inevitável, não só devido à qualidade da obra artística, como pelo espantoso trabalho de futurologia. Ninguém diria que foi criada em fevereiro de 2017, um mero mês após a tomada de posse de Trump. Em setembro desse ano um Furacão de Categoria 5 iria devastar Puerto Rico, provocando milhares de fatalidades e de deslocados e, em 2018, eclodiria o escândalo num expose do The Wall Street Journal, que revelava um caso extra-conjugal entre Trump e a atriz pornográfica Stormy Daniels. Os dias de Tempestade, como O’Brian vaticinou, apenas viriam intensificar-se.

Fonte: Twitter de Dylan Stableford

A súmula de um ano de Presidência em 3 capas. A Time novamente num trabalho brilhante a expôr o sentimento de terror coletivo perante o comportamento anti-Presidencial de Trump. O retrato não é tanto de Trump mas de como este e o seu impacto na Presidência é percepcionado. Em chamas diriam!

Fonte: Facebook da Revista Time

Entre maio de 2017 e março de 2019 foi conduzida uma investigação sobre a alegada interferência russa nas eleições presidenciais americanas, movimentada nos bastidores da política norte-americana através de ligações obscuras entre associados próximos de Trump, incluindo os próprios filhos e oficiais russos, bem como a possibilidade de o Presidente em exercício e a sua equipa estarem a obstruir a justiça. A cada nova etapa da investigação surgiam novas revelações explosivas de promiscuidade entre a campanha de Trump e o Kremlin, suspeições a que acrescia o notório tratamento preferencial e amigável de Trump em relação ao Presidente Putin. Nesta capa de julho de 2018, a Time revela não ter dúvidas sobre a culpabilidade de Trump.

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A exposição do World Press Cartoon 2020 que conta com a exposição dos melhores cartoons publicados no ano anterior na imprensa mundial — em formato impresso ou digital, atribuiu o 1.º prémio do cartoon em editoria, ao desenhador AYTOS, pelo seu desenho “Política Mundial”, publicado na plataforma de cartoons holandesa Cartoon Movement. Neste cartoon, Trump encontra-se num concurso de medição de forças com os ditadores Kim Jong-Un e Putin, com quem teve inúmeros encontros amigáveis ao longo dos 4 anos de Presidência. Trump chegou a fazer circular a ideia de ser candidato ao Nobel da Paz, por promover encontros históricos com o líder da Coreia do Norte, com vista à sua desnuclearização.

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O último ano de mandato foi marcado pelo surgimento do SARS-CoV-2. Trump agiu da forma a que já tinha habituado o público. Errático. Primeiro insinuou que o Covid-19 era ficção, depois levantou suspeitas de conotação racista sobre a origem do mesmo, intitulando-o de “Vírus da China” e, por fim, insistiu que o vírus estava sob controlo e que a resposta das Autoridades de Saúde americanas estava a ser senão, perfeita, apesar de os números devastadores de mortos no país demonstrarem o oposto.

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Poucos momentos foram tão inusitados como a desconfiança de Trump perante os media. As Conferências de Imprensa serviam alternadamente para se promover ou atacar os media que, dizia ele, escreviam “Fake News” ou mentiras a seu respeito. O Presidente passou mesmo a ignorar as perguntas de alguns órgãos de comunicação social e de determinados jornalistas que entendia como críticos da sua atuação, ao mesmo tempo que dava atenção preferencial aos media cuja linha editorial estava mais alinhada com a sua visão pessoal do mundo e de si próprio. Ávido consumidor da Fox News, nos últimos meses de mandato começou a atacar esse canal de televisão, que até então o parecia apoiar integralmente, aos primeiros indícios de crítica à sua conduta. Uma relação fascinante e simbiótica esta de Trump com os media que, por vezes, sem capacidade de auto-análise, se degladiavam para ser os primeiros a relatar a mais recente ação chocante de um Presidente que os criticava amiúde e alimentava com as suas mensagens pouco presidenciais mas, sem os holofotes dos quais, não conseguia sobreviver.

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Rob Rogers e a arte que o fez ser despedido do Pittsburgh Post-Gazette.

Entre as muitas ações duvidosas de Trump e, porque não dizê-lo, imorais, poucas foram tão chocantes como a separação de pais e crianças imigrantes. A América que foi construída por imigrantes agora fechava-lhes as portas ou separava famílias com o intuito de os dissuadir de procurar um projeto de vida no país. Em outubro de 2020 a American Civil Liberties Union (ACLU) indicou que 545 crianças continuam por reunir aos pais, que se encontram em parte incerta, provavelmente deportados, tendo a administração Trump recusado dar assistência neste esforço e não existirem registos para facilitar o processo.

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Naquele que se espera ser o capítulo final da presidência de mandato único de Trump, houve uma invasão ao Capitólio, em Washington DC, por uma multidão instigada a subverter os resultados das eleições, minutos antes, num comício com o Presidente e outros representantes políticos. Após meses a semear indicios de eleições fraudulentas sem qualquer prova física, uma multidão acirrada por políticos, media e sites de extrema-direita e de teorias da conspiração, provocou a morte de pelo menos cinco pessoas e o símbolo máximo da democracia norte-americana foi inundado de insignias e terminologias anti-democráticas: bandeiras da confederação, suásticas, t-shirts provocatórias apelando a uma Guerra Civil, Qanon entre muitos outros. Foi a gota de água para as redes sociais que decidiram suspender ou banir Trump das suas plataformas por tempo indeterminado. Esta imagem, altamente simbólica, mostra um Trump demente a alimentar as chamas da ira sobre o Capitólio, e o passarinho do logótipo do twitter a defecar-lhe em cima, como quem lhe diz que não irá propagar a sua mensagem.

#Trumpilustrado #cartoon

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